É equivocado atribuir aos defensores de um ajuste fiscal a intenção de cortar os gastos públicos. O ritmo de crescimento das despesas nos últimos anos tem sido tão acelerado que uma simples redução da velocidade de alta já seria um avanço notável.
Os fortes impulsos fiscal e creditício engendrados nos últimos anos, no entanto, seguem aumentando a demanda por mão de obra em um mercado de trabalho já apertado.
Apresentamos um cenário para o pós-guerra com foco no impacto do petróleo sobre inflação, juros e crescimento global. Mesmo com possível cessar-fogo, os efeitos inflacionários tendem a ser persistentes, limitando cortes de juros nos EUA e no Reino Unido. O ambiente global ainda favorece ativos de risco devido à dinâmica estrutural de inovação. No Brasil, há ganhos com petróleo e fluxo de capitais, mas riscos fiscais e políticos seguem relevantes. O mercado parece precificar mudança política, enquanto o alto endividamento e juros elevados continuam sendo desafios centrais.
A volta do preço do petróleo para nível acima de US$ 100por barril indica o tamanho do desafio para retomar a ofertada commodity no curto prazo. Apesar do elevado risco inflacionário, há uma certa tranquilidade nos mercados, especialmente dos EUA.
O governo tem razão de estar preocupado com a situação financeira do brasileiro, principalmente porque o tema tem forte apelo eleitoral. A estratégia é tentar aliviar o bolso dos mais pobres através do programa “Desenrola”. A pergunta que fica é: quem vai desenrolar o próprio governo? A resposta: você.
Veja o arquivo em xls com as projeções.
As incertezas em relação às ações econômicas dos EUA têm sido compensadas pela fortaleza das inovações tecnológicas. A política tarifária e a depreciação do dólar têm sido pouco altistas para a inflação e para as taxas de juros.