O quadro é preocupante porque mostra uma mudança importante de patamar da inflação ao nível do produtor, de cerca de 2% a 3% ao final do ano passado para 5% nas últimas leituras. Mesmo se os preços do petróleo voltarem, é pouco provável que inflação no atacado recue para o nível anterior.
Nossa leitura mais recente é de que o choque do petróleo não tem se mostrado suficiente para produzir uma tendência altista. A variação interanual dos núcleos da inflação deverá permanecer entre 2,5% ao ano (para CPI) e 3% ao ano (pata deflator do PCE) por algum tempo.
Um impulso fiscal continuamente expansionista, um hiato do produto mais apertado e, sobretudo, uma política monetária caracterizada por menor credibilidade, explicam porque as expectativas de inflação de 10 anos aumentaram mais e de forma mais persistente no Brasil do que nos Estados Unidos.
Os preços do petróleo já recuaram para perto dos níveis praticados no início do ano. O mesmo aconteceu com importantes matérias primas, como cobre, alumínio e uréia.
Feitas as contas, fica claro que a questão é transformar medidas tecnicamente desejáveis em decisões politicamente viáveis. O ajuste necessário para estabilizar a dívida pública é grande. As propostas mais frequentes do debate fiscal são conhecidas e já foram discutidas por governos de diferentes orientações políticas, o que evidencia a dificuldade do tema.
Uma redução mais drástica das necessidades de financiamento do setor público via corte de gastos ficou na promessa. A redução do déficit primário (sem contar juros), de 3,2% do PIB ao final do governo Biden, para 2,7% em 2025 e, provavelmente 2,5% em 2026, não parece suficiente para mudar a dinâmica do resultado nominal. O ajuste tem ocorrido mais em função de aumento da arrecadação do que de redução de gastos.
por Tatiana Pinheiro.
Fim do processo desinflacionário observado no segundo semestre de 2025. É isso que o IPCA de maio sugere ao registrar alta de 0,58% m/m e 4,72% em 12 meses.
Segundo nossas estimativas, somente em 2025, as famílias endividadas teriam desembolsado cerca de 256 bilhões em juros. Grande parte destes recursos foi absorvido pelos poupadores.