A produtividade do trabalho (produto por hora) no setor não-agrícola cresceu 1,4% em ritmo anualizado no 2º trimestre de 2026 e 2,2% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (Ver Gráfico 2). O resultado combina alta de 1,7% do produto com avanço de apenas 0,3% das horas trabalhadas.
Para a política monetária, o quadro não foi ruim: os indicadores não mostram alta. Mas o mercado deve seguir precificando altas de juros na medida em que a inflação persista longe do objetivo.
Os indicadores de produtividade e custo do trabalho mostram uma dinâmica que é favorável para o FED, na medida em que se caracteriza por pressões de custos de mão de obra praticamente inexistentes do ponto de vista das empresas.
O quadro é preocupante porque mostra uma mudança importante de patamar da inflação ao nível do produtor, de cerca de 2% a 3% ao final do ano passado para 5% nas últimas leituras. Mesmo se os preços do petróleo voltarem, é pouco provável que inflação no atacado recue para o nível anterior.
Nossa leitura mais recente é de que o choque do petróleo não tem se mostrado suficiente para produzir uma tendência altista. A variação interanual dos núcleos da inflação deverá permanecer entre 2,5% ao ano (para CPI) e 3% ao ano (pata deflator do PCE) por algum tempo.
O governo tem razão de estar preocupado com a situação financeira do brasileiro, principalmente porque o tema tem forte apelo eleitoral. A estratégia é tentar aliviar o bolso dos mais pobres através do programa “Desenrola”. A pergunta que fica é: quem vai desenrolar o próprio governo? A resposta: você.
Parte relevante da deterioração do mercado de trabalho, ocorrida ao longo de 2025, esteve relacionada à perda de empregos ocorrida no setor público. A média mensal de 3 mil vagas adicionadas por mês em um passado recente (+37 mil somente em 2024) se transformou em uma destruição de 20 mil vagas na mesma base de comparação, quando tomados os últimos 12 meses. (Ver Gráfico 2).
Ainda não incorporando o período posterior ao choque do petróleo, os dados referentes às contas externas mostram que o Brasil está bem-posicionado para atravessar a crise internacional. Primeiro porque o déficit em transações correntes, em 2,7% do PIB em 12 meses até fevereiro, vem apresentando recuos substancial ante os 3,6% que prevaleciam em meados de 2025 (Gráfico 1).