O índice de preços ao produtor ficou acima do esperado em janeiro, se juntando ao dado do último deflator do consumo privado para formar um quadro bem menos benigno em relação à inflação nos Estados Unidos. Os ataques recentes ao Irã sugerem que a deflação produzida pela queda dos preços do petróleo tende a ser interrompida, no mínimo por alguns meses, o que certamente afetará as projeções de inflação e decisões de política monetária do FOMC.
Não fosse o ambiente externo benigno, o Brasil já estaria passando por uma crise de confiança em relação às suas contas públicas. A valorização global de ativos em um ambiente desinflacionário, os ganhos de produtividade produzidos pelos avanços das Inteligências artificiais e a diversificação de ativos que tem provocado desvalorização do dólar no mercado internacional; produzem forte fluxo de entrada de capitais internacionais e ajudam a financiar o déficit público.
O superávit primário do governo federal ficou em R$ 86,9 bilhões em janeiro de 2026, apenas R$ 1,9 bi. acima do registrado um ano antes (no dado corrigido pela inflação). O resultado deve ser considerado desapontador na medida em mostra uma arrecadação crescendo R$ 6,4 bi. (2%) enquanto as despesas aumentam R$ 5,2 bi. (3%).
A despeito da apreciação cambial, que reduziu o estoque de dívidas ao setor não financeiro denominado em reais, o endividamento e o nível da inadimplência seguiram em patamares preocupantes em janeiro de 2026. A situação tende a piorar (com a desaceleração da economia) antes de melhorar (com a queda de juros).
A arrecadação das receitas federais atingiu R$ 325,751 bi em janeiro, a maior registrada para mês e série histórica, acumulando R$ 2,49 bilhões em 12 meses, alta de 3,8% acima da inflação em relação ao período anterior equivalente.
A consolidação da taxa de câmbio no patamar de R$ 5,20 / USD vinha demorando para afetar a mediana das estimativas. Não mais. O consenso para o final de 2026 caiu de R$ 5,50 / USD para 5,45 / USD entre as duas últimas semanas. Vai continuar caindo.