Projeções de Inflação Seguem em Queda. As de Dólar Começam a Se Mexer.
- Temos chamado a atenção para três dinâmicas extremamente importantes, referentes às projeções do mercado financeiro:
1) A consolidação da taxa de câmbio no patamar de R$ 5,20 / USD vinha demorando para afetar a mediana das estimativas. Não mais. O consenso para o final de 2026 caiu de R$ 5,50 / USD para 5,45 / USD entre as duas últimas semanas. Vai continuar caindo.
2) A inflação projetada para o ano corrente cai há sete semanas (3,91% na última leitura), mas ainda não contaminou as expectativas para 2027 (estável em 3,80 há 16 semanas). É uma questão de tempo.
3) Câmbio e inflação mais baixos já começam a produzir revisões das projeções para a taxa Selic: 12,125% em 2026 ante 12,50% na semana anterior. Vai cair mais.
- Um detalhe importante é o fato de as estimativas de inflação persistirem muito mais baixas para os preços administrados do que para os preços livres (Gráfico 1). Esse quadro é particularmente desafiador para a convergência das expectativas para a meta.
- O consenso para o PIB segue mais ou menos igual (1,82% para 2026, 1,80% para 2027 e 2% para 2028). Os analistas parecem acreditar fortemente que esse nível corresponde ao potencial de crescimento da economia. Muito fraco para um país com as demandas sociais do Brasil.
- Déficit em transações correntes em 2026 (USD 67,7 bilhões) com folga para o consenso dos investimentos estrangeiros diretos (estáveis em USD 75 bilhões).
- As expectativas para a dinâmica fiscal manifestam um pessimismo bastante consolidado. Ainda que o mercado venha melhorando as projeções para as diversas variáveis macroeconômicas em 2026, o consenso caminha para uma piora ainda maior da trajetória da dívida pública esperada para o longo prazo. Esse é, certamente o maior problema macroeconômico a ser endereçado após as eleições (Gráfico 2).

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