Pela terceira eleição consecutiva, o Brasil volta a discutir duas visões de país que, em essência, conhecemos desde 2018. De um lado, o PT mantém o Estado como indutor do desenvolvimento. Do outro, o bolsonarismo defende um Estado menor e maior protagonismo privado. Mudam slogans e circunstâncias, mas o núcleo do debate permanece.
Somente 10 das mais relevantes empresas entre as chamadas hyperscalers nos Estados Unidos devem investir um total perto de USD 1 trilhão em 2026, ante meros USD 100 bilhões em 2020 (gráfico 1). O Capex associado ao boom da IA concorre por atenção dos investidores e está ajudando a colocar pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.
Os mercados parecem desconfortáveis com o impacto do excesso de demanda por recursos por parte das “hypersclars” sobre as taxas de juros longas. O desafio parece maior nos Estados Unidos do que na Ásia. É importante atentar também para as pressões sobre terra e energia. Veja o relatório da Pezco Economics a respeito do impacto macro da IA sobre a macroeconomia de Taiwan, Coréia do Sul, Cingapura, Irlanda e Holanda.
Neste relatório apresentamos avaliações e perspetivas para as economias de Argentina, Colômbia, Chile, México, Paraguai e Peru. Para um mercado financeiro que está focado basicamente em economias desenvolvidas e temas de IA, alguma diversificação de investimentos em emergentes latinos se mostra como alternativa potencialmente interessante.
Os preços de importação caíram 0,4% em julho (após -0,3% em junho), mas sobem 5,9% em 12 meses. A queda mensal veio dos combustíveis (-7,2%, a maior desde maio de 2025; +25,2% em 12 meses); excluindo combustíveis, os preços de importação subiram 0,4% no mês e aceleram a 4,5% em 12 meses, o que sugere persistência das pressões decorrentes da política tarifária.
Os ciclos macroeconômicos representam as oscilações naturais da atividade econômica ao longo do tempo. Cada fase do ciclo macroeconômico é caracterizada por uma combinação distinta de crescimento, inflação e política econômica. O gráfico 1 ilustra a dinâmica. O gráfico 2 procura posicionar Brasil, Estados Unidos, zona do euro, Japão e China em relação ao momento do ciclo com base nos desvios dos indicadores de crescimento e inflação em relação à média, medidos em desvios padrão.
Um impulso fiscal continuamente expansionista, um hiato do produto mais apertado e, sobretudo, uma política monetária caracterizada por menor credibilidade, explicam porque as expectativas de inflação de 10 anos aumentaram mais e de forma mais persistente no Brasil do que nos Estados Unidos.
Feitas as contas, fica claro que a questão é transformar medidas tecnicamente desejáveis em decisões politicamente viáveis. O ajuste necessário para estabilizar a dívida pública é grande. As propostas mais frequentes do debate fiscal são conhecidas e já foram discutidas por governos de diferentes orientações políticas, o que evidencia a dificuldade do tema.
Uma redução mais drástica das necessidades de financiamento do setor público via corte de gastos ficou na promessa. A redução do déficit primário (sem contar juros), de 3,2% do PIB ao final do governo Biden, para 2,7% em 2025 e, provavelmente 2,5% em 2026, não parece suficiente para mudar a dinâmica do resultado nominal. O ajuste tem ocorrido mais em função de aumento da arrecadação do que de redução de gastos.
por Tatiana Pinheiro.
Fim do processo desinflacionário observado no segundo semestre de 2025. É isso que o IPCA de maio sugere ao registrar alta de 0,58% m/m e 4,72% em 12 meses.