- O índice de preços ao produtor (PPI) para demanda final ficou estável em julho (0,0% no mês, com ajuste sazonal) e acumula alta de 4,7% em 12 meses. O núcleo — que exclui alimentos, energia e serviços de comércio — subiu 0,4% no mês e também 4,7% em 12 meses (Gráfico 1).
- Os indicadores recuaram do pico recente (perto de 6% em meados de 2026), mas ambos seguem em torno de 4,7% — bem acima do ritmo compatível com a meta de 2%, sinal de que a pressão de custos no atacado persiste (Gráfico 1).
- No mês, os bens de demanda final caíram 0,7%, com a gasolina recuando 5,7% e o frete rodoviário 1,8%. Do lado dos serviços (+0,2%), o principal impulso de alta veio da gestão de carteiras (+6,5%), item volátil ligado ao desempenho dos mercados financeiros.
- Os preços de importação caíram 0,4% em julho (após -0,3% em junho), mas sobem 5,9% em 12 meses. A queda mensal veio dos combustíveis (-7,2%, a maior desde maio de 2025; +25,2% em 12 meses); excluindo combustíveis, os preços de importação subiram 0,4% no mês e aceleram a 4,5% em 12 meses, o que sugere persistência das pressões decorrentes da política tarifária (Ver Gráfico 2).
- A divergência é reveladora: enquanto o petróleo derruba os índices cheios no curto prazo, os núcleos — tanto o do PPI quanto o de importação (ex combustíveis) — seguem firmes.
- Para a política monetária, o quadro é ambíguo: o PPI cheio comportado dá algum conforto, mas a persistência dos núcleos de produtor e de importação sugere que parte da desinflação ainda depende da trégua nos preços de energia — alívio que pode se reverter. O Fed deve seguir atento a esses repasses antes de acelerar os cortes de juros.




