- O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,1% em julho (com ajuste sazonal), após queda de 0,4% em junho, e desacelerou para 3,4% em 12 meses (de 3,5%). O núcleo — que exclui alimentos e energia — avançou 0,2% no mês e recuou a 2,5% em 12 meses, dando sequência à trajetória de desinflação (Ver Gráfico 1).
- A composição, porém, mostra forças opostas: o núcleo de serviços (ex energia) desacelerou para 3,0% em 12 meses — ante mais de 5% no fim de 2023 —, enquanto o núcleo de bens saiu da deflação e já sobe 0,8%, refletindo o repasse das tarifas de importação (Ver Gráfico 2).
- A habitação subiu apenas 0,1% no mês (respondendo por cerca de dois terços da alta mensal do índice) e acumula 3,2% em 12 meses. O arrefecimento gradual dos aluguéis segue como a principal âncora da desinflação do núcleo.
- A energia recuou 1,5% no mês, com a gasolina caindo 2,9%, ainda amortecendo o índice cheio — embora acumule alta de 14,7% em 12 meses. Os alimentos subiram 0,1% no mês (3,0% no ano). Chamou atenção o salto das passagens aéreas (+2,2% no mês, +25,5% em 12 meses).
- A reinflação dos bens é o ponto de atenção: itens que estiveram em deflação ao longo de 2024 voltaram ao terreno positivo, um contrapeso à desinflação dos serviços e sinal de que os efeitos das tarifas continuam se propagando pela cadeia de preços.
- Para a política monetária, o quadro não foi ruim: os indicadores não mostram alta. Mas o mercado deve seguir precificando altas de juros na medida em que a inflação persista longe do objetivo.




