Endividamento e Inadimplência Seguem em Patamares Elevados
- A despeito da apreciação cambial, que reduziu o estoque de dívidas ao setor não financeiro denominado em reais, o endividamento e o nível da inadimplência seguiram em patamares preocupantes em janeiro de 2026. A situação tende a piorar (com a desaceleração da economia) antes de melhorar (com a queda de juros).
- O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$20,8 trilhões (162,6% do PIB), ligeiramente abaixo (-0,3%) do observado no mês anterior.
- A oferta de empréstimos por parte do sistema financeiro segue predominantemente elevada nas modalidades direcionadas (earmarked), com variações interanuais de 12,6% ante 8,3% do crédito livre. No total a expansão ficou em 10,1%.
- A inadimplência média no segmento de pessoas jurídicas atingiu 2,6% do total de empréstimos, ante 2% há um ano. A dinâmica recente, no entanto, se caracteriza por razoável estabilidade. Já para as pessoas físicas o indicador segue tendência de forte alta: atingiu 5,2% em janeiro passado ante 3% no mesmo mês do ano anterior.
- O comprometimento de renda das famílias com pagamento de amortização e juros se manteve estável em 29,2% na leitura de dezembro, última disponível. O número é extremamente elevado: oscilou entre 22% e 25% durante 10 anos até 2021, mas disparou após a COVID-19. O ônus financeiro certamente representará um desafio para a retomada do consumo e pode até influenciar as eleições.

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