Brasil – Resultado Fiscal do Setor Público Consolidado

Baixar Arquivo
Tempo de leitura: 3 minutos
Tempo de leitura: 3 minutos

Resultado Primário e Dinâmica da Dívida com Tendências Ainda Piores

  • Não fosse o ambiente externo benigno, o Brasil já estaria passando por uma crise de confiança em relação às suas contas públicas. A valorização global de ativos em um ambiente desinflacionário, os ganhos de produtividade produzidos pelos avanços das Inteligências artificiais e a diversificação de ativos que tem provocado desvalorização do dólar no mercado internacional; produzem forte fluxo de entrada de capitais internacionais e ajudam a financiar o déficit público.
  • O déficit primário consolidado em 12 meses atingiu 0,43% do PIB nos doze meses até o final de janeiro, piorando substancialmente em relação ao dado de maio de 2025, quando o país chegou a realizar um superávit de 0,2% do PIB (Gráfico 1).
  • A combinação de primário em deterioração e juros altos provoca elevação também do resultado nominal, que atingiu 8,49% do PIB nos 12 meses terminados em janeiro de 2026, pior que os 8,34% do mês anterior e que a mínima registrada em meados do ano passado (7,2%).
  • ​A dívida líquida do setor público chegou a 65% do PIB (R$8,3 trilhões) em 2025, elevando-se 0,3 p.p. do PIB em relação a janeiro de 2025. Importante considerar que o aumento reflete, em grande medida, o efeito da valorização cambial acumulada de 4,9%. Dado que o setor público brasileiro é credor líquido de ativos denominados em moeda estrangeira (possui dívida externa menor do que o estoque de reservas), eventuais desvalorizações da taxa de câmbio ajudam a conter o crescimento da dívida líquida. De forma equivalente, a valorização da moeda provoca impacto baixista sobre os ativos denominados em moeda estrangeira aumentando a dívida líquida.
  • A dívida Bruta, que é bem menos afetada diretamente pelo câmbio, segue sua trajetória altista (gráfico 2), tendo atingido 78,7% do PIB no mês passado, vindo de 71,5% no final de 2022. É para se preocupar.

Este relatório foi preparado e publicado pela equipe de sócios e consultores da Pezco Consultoria, Editora e Desenvolvimento Ltda (“Pezco Economics”), exclusivamente para seus clientes e parceiros. Este documento tem como objetivo servir de base para a discussão de elementos do ambiente econômico e setorial, através da compilação de informações e exposição de análises e de pontos de vista. Foram tomados os melhores cuidados com a confiabilidade das informações e de suas fontes, mas não é possível garantir a exatidão delas ou das análises realizadas sobre elas. Todas as informações aqui contidas a título de “projeção” ou “previsão” estão fundamentadas em elementos e tendências disponíveis quando a análise foi produzida, cujos pressupostos podem mudar significativamente ao longo do tempo. Este documento não se destina a oferecer ou solicitar compra ou venda de quaisquer bens ou serviços. A Pezco Economics e os profissionais que participaram deste relatório não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste. Tanto a Pezco Economics quanto seus sócios e consultores que figuram neste relatório podem manter posições em ativos mencionados neste documento, bem como podem estar participando ou ter participado de projetos de consultoria/assessoria relacionados a organizações aqui mencionadas – nesse caso, as análises resultantes desconsideram as informações não públicas e protegidas por acordos de confidencialidade. Este relatório não pode ser reproduzido ou redistribuído para qualquer outra pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento por escrito pela Pezco Economics.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O jogo invisível do mercado que poucos têm coragem de revelar.

Descubra como a indução e a manipulação moldam decisões todos os dias e aprenda a enxergar o que a maioria ignora.

Newsletter Market Cruncher

Receba insights estratégicos do mercado direto no seu e-mail.

Continue se informando

Artigos Relacionados

Choque do Petróleo e Inflação: Brasil x Estados Unidos

Um impulso fiscal continuamente expansionista, um hiato do produto mais apertado e, sobretudo, uma política monetária caracterizada por menor credibilidade, explicam porque as expectativas de inflação de 10 anos aumentaram mais e de forma mais persistente no Brasil do que nos Estados Unidos.

Preços do Petróleo Recuam – Inflação Deve Entrar (Temporariamente) Em Terreno Negativo – Resumo Mensal Pezco

Os preços do petróleo já recuaram para perto dos níveis praticados no início do ano. O mesmo aconteceu com importantes matérias primas, como cobre, alumínio e uréia.

Museu de Grandes Novidades (por Tatiana Pinheiro)

Feitas as contas, fica claro que a questão é transformar medidas tecnicamente desejáveis em decisões politicamente viáveis. O ajuste necessário para estabilizar a dívida pública é grande. As propostas mais frequentes do debate fiscal são conhecidas e já foram discutidas por governos de diferentes orientações políticas, o que evidencia a dificuldade do tema.  

Newsletter Market Cruncher

Receba insights estratégicos do mercado direto no seu e-mail.

A Market Cruncher utiliza suas informações de contato para enviar conteúdos relevantes.
Você pode cancelar o recebimento a qualquer momento.