Resultado Primário e Dinâmica da Dívida com Tendências Ainda Piores
- Não fosse o ambiente externo benigno, o Brasil já estaria passando por uma crise de confiança em relação às suas contas públicas. A valorização global de ativos em um ambiente desinflacionário, os ganhos de produtividade produzidos pelos avanços das Inteligências artificiais e a diversificação de ativos que tem provocado desvalorização do dólar no mercado internacional; produzem forte fluxo de entrada de capitais internacionais e ajudam a financiar o déficit público.
- O déficit primário consolidado em 12 meses atingiu 0,43% do PIB nos doze meses até o final de janeiro, piorando substancialmente em relação ao dado de maio de 2025, quando o país chegou a realizar um superávit de 0,2% do PIB (Gráfico 1).
- A combinação de primário em deterioração e juros altos provoca elevação também do resultado nominal, que atingiu 8,49% do PIB nos 12 meses terminados em janeiro de 2026, pior que os 8,34% do mês anterior e que a mínima registrada em meados do ano passado (7,2%).
- A dívida líquida do setor público chegou a 65% do PIB (R$8,3 trilhões) em 2025, elevando-se 0,3 p.p. do PIB em relação a janeiro de 2025. Importante considerar que o aumento reflete, em grande medida, o efeito da valorização cambial acumulada de 4,9%. Dado que o setor público brasileiro é credor líquido de ativos denominados em moeda estrangeira (possui dívida externa menor do que o estoque de reservas), eventuais desvalorizações da taxa de câmbio ajudam a conter o crescimento da dívida líquida. De forma equivalente, a valorização da moeda provoca impacto baixista sobre os ativos denominados em moeda estrangeira aumentando a dívida líquida.
- A dívida Bruta, que é bem menos afetada diretamente pelo câmbio, segue sua trajetória altista (gráfico 2), tendo atingido 78,7% do PIB no mês passado, vindo de 71,5% no final de 2022. É para se preocupar.

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