Pressões de Preços no Atacado Tendem a se intensificar com a Alta do Petróleo
- O índice de preços ao produtor ficou acima do esperado em janeiro, se juntando ao dado do último deflator do consumo privado para formar um quadro bem menos benigno em relação à inflação nos Estados Unidos. Os ataques recentes ao Irã sugerem que a deflação produzida pela queda dos preços do petróleo tende a ser interrompida, no mínimo por alguns meses, o que certamente afetará as projeções de inflação e decisões de política monetária do FOMC.
- O indicador de preços ao produtor nos EUA aumentou 0,5% em janeiro de 2026, após haver oscilado 0,4% em dezembro e 0,2% em novembro do ano passado. A variação interanual foi de 2,9% para o índice cheio e 3,4% para o núcleo (exclui alimentação e energia).
- O índice de preços ao produtor, assim como o equivalente para o consumidor, também é dividido em um grupo de serviços e outro de bens. Os primeiros seguem contribuindo para aumentos do índice (+0,8% de variação no mês), enquanto os últimos registraram deflação (variação de -0,3%) na última leitura. Essa composição revela que a maior parte das pressões seguem por parte de salários, contrabalançando a contribuição deflacionária das importações da China, mesmo com as tarifas e a depreciação do dólar no mercado internacional. Esse quadro tende a persistir.
- Importante destacar que as quedas dos preços da gasolina que ocorrem desde 2024 também vinham atuando de forma importante para manter o grupo relacionado a bens no terreno da deflação. Na variação em 12 meses o grupo energia recuou 4,4%.
- A reversão do movimento de baixa dos preços do petróleo, que já se observava em janeiro e se acentuou com os ataques ao Irã, tende a reverter essa situação e pressionar os índices tanto do produtor quanto do consumidor já nos próximos meses.




