Brasil – Estatísticas Monetárias e de Crédito
- O Banco Central do Brasil divulgou hoje os dados referentes ao endividamento de empresas e famílias. O estoque das operações de crédito do SFN alcançou R$7,2 trilhões em abril, um aumento de 9,3% em 12 meses (ante inflação de 4,4%). O destaque ainda é a expansão do crédito direcionado, que aumentou 12,2% na mesma base de comparação. Fica muito claro pelos dados que o forte impulso ao endividamento ocorre predominantemente a partir de políticas públicas, já que o crédito livre se mostra bem mais contido.
- O endividamento das empresas segue elevado (54.3% do PIB) mas abaixo da máxima históricas (57%). Já o das famílias nunca foi tão alto (38% do PIB ou 49,8% da Renda Disponível). O custo de crédito está nas alturas (média de 22.3% a.a. para PJs e 39% a.a. para PFs). A estimativa é que a conta anual de juros das famílias já alcance R$ 1 trilhão.
- A inadimplência no segmento de pessoas físicas segue quebrando recordes e não há perspectiva de melhora no curto prazo: 1) Os ganhos de renda tendem a desacelerar com a moderação do crescimento e com o mercado de trabalho já apertado. 2) O ritmo de corte da taxa básica de juros não deve ser intenso o suficiente para reduzir o comprometimento de renda das famílias com serviço da dívida. E 3) As concessões de crédito seguem crescendo mais rapidamente do que a renda, em ritmo ainda compatível com aumento do endividamento (ver gráfico 1).
- Chamamos a atenção para o processo de forte transferência de renda de famílias endividadas para as poupadoras (ver Uma Transferência Gigantesca de Renda). As estatísticas referentes aos meios de pagamento reforçam o quadro: muitos endividados transferindo um pouco da sua renda para os poucos detentores de ativos financeiros (Setor Privado não Financeiro). Ver Gráfico 2.



