Geopolítica: A disputa pela hegemonia econômica global entre Estados Unidos e China, e a guerra entre Rússia e Ucrânia ficaram para segundo plano. O ataque norte-americano ao Irã se configura agora como o principal fator de risco geopolítico. O cenário pressupõe conflitos mais intensos por cerca de dois meses, arrefecendo a partir de abril/maio.
Parte relevante da deterioração do mercado de trabalho, ocorrida ao longo de 2025, esteve relacionada à perda de empregos ocorrida no setor público. A média mensal de 3 mil vagas adicionadas por mês em um passado recente (+37 mil somente em 2024) se transformou em uma destruição de 20 mil vagas na mesma base de comparação, quando tomados os últimos 12 meses. (Ver Gráfico 2).
Ainda não incorporando o período posterior ao choque do petróleo, os dados referentes às contas externas mostram que o Brasil está bem-posicionado para atravessar a crise internacional. Primeiro porque o déficit em transações correntes, em 2,7% do PIB em 12 meses até fevereiro, vem apresentando recuos substancial ante os 3,6% que prevaleciam em meados de 2025 (Gráfico 1).
O brasileiro é predominantemente conservador. A maioria de nós tende a cultivar valores tradicionais da religião, da família, do pensamento estereotipado sobre homens, e pouco aceitar as minorias (o diferente é tolerado, mas é visto como incômodo no espaço público).
O que acontece quando o impulso da política fiscal e do crédito direcionado são excessivos? Resposta: a autoridade monetária se vê obrigada a praticar juros excessivamente elevados para conter a inflação, o que agrava a situação financeira tanto das famílias quanto das empresas.
A autoridade monetária reduziu juros, no ano passado, em reação a uma elevação apenas moderada do desemprego, mas em um ambiente de mercado de trabalho ainda apertado. É possível que a oferta de mão de obra venha a apresentar restrições adicionais em função da agressiva política de combate à imigração. O fato é que o custo unitário do trabalho aumentou 2,4% em 12 meses até o último trimestre de 2025, resultado de salários crescendo 5% e produtividade aumentando 2,2% (Gráfico 1).
O presidente do FOMC (Comitê de Política Monetária do Federal Reserve), expressou que não haverá corte de juros enquanto não houver sinais claros de que a inflação está progredindo rumo à meta de 2% ao ano. Temos chamado a atenção para o fato de que, mesmo antes da alta dos preços do petróleo, tal dinâmica dificilmente se verificaria em 2026.
Destacamos a seguir quais são os possíveis assuntos que devem ser mais explorados nas eleições de 2026, e como cada um deles pode ser determinante para o resultado.
Os gráficos 1 e 2 já dizem muito: violência e corrupção cresceram em importância nos últimos 4 anos. Saúde é relevante, mas um pouco menos do que no período da Covid-19, quando certamente contribuiu para a derrota da candidatura incumbente. Democracia, ainda que não mencionada nas pesquisas da IPSOS e do Datafolha, foi decisiva em 2022, mas não deve ter tanta relevância em 2026.
Economia não se mostra um tema tão sensível quanto em outras ocasiões, na medida em que inflação e desemprego já se situam em patamares confortáveis. E poucos parecem estar se importando com ESG / diversidade.
O quadro inflacionário nos Estados Unidos não é bom. O núcleo do deflator do PIB já tinha mostrado aceleração em janeiro (de 3% para 3,1%). Agora o PPI mostra que as pressões por aumento de preços não se resumem aos serviços impulsionados por salários. Atingem também o segmento de bens, muito provavelmente refletindo o efeito das tarifas (Gráfico 1)
A polarização política e o pessimismo atuais podem estar ligados ao descontentamento de uma parcela relevante da população que se vê perdedora em um jogo arbitrado por instituições mais preocupadas com a autopreservação do que com a defesa de regras justas e imparciais. A mão do estado passa a ser vista como determinante da alocação de riqueza em favor de grupos específicos – muitas vezes percebidos como não merecedores - sem impor ônus relevante aos segmentos mais privilegiados da sociedade. Daí a força de temas como meritocracia, religião e empreendedorismo. A polarização e o pessimismo em um contexto de eleições favorecem abordagens populistas, como: 1) busca por culpados, 2) apresentação de soluções simples, 3) combate às instituições e 4) apelo emocional focado no medo.