Destacamos a seguir quais são os possíveis assuntos que devem ser mais explorados nas eleições de 2026, e como cada um deles pode ser determinante para o resultado.
Os gráficos 1 e 2 já dizem muito: violência e corrupção cresceram em importância nos últimos 4 anos. Saúde é relevante, mas um pouco menos do que no período da Covid-19, quando certamente contribuiu para a derrota da candidatura incumbente. Democracia, ainda que não mencionada nas pesquisas da IPSOS e do Datafolha, foi decisiva em 2022, mas não deve ter tanta relevância em 2026.
Economia não se mostra um tema tão sensível quanto em outras ocasiões, na medida em que inflação e desemprego já se situam em patamares confortáveis. E poucos parecem estar se importando com ESG / diversidade.
O quadro inflacionário nos Estados Unidos não é bom. O núcleo do deflator do PIB já tinha mostrado aceleração em janeiro (de 3% para 3,1%). Agora o PPI mostra que as pressões por aumento de preços não se resumem aos serviços impulsionados por salários. Atingem também o segmento de bens, muito provavelmente refletindo o efeito das tarifas (Gráfico 1)
A polarização política e o pessimismo atuais podem estar ligados ao descontentamento de uma parcela relevante da população que se vê perdedora em um jogo arbitrado por instituições mais preocupadas com a autopreservação do que com a defesa de regras justas e imparciais. A mão do estado passa a ser vista como determinante da alocação de riqueza em favor de grupos específicos – muitas vezes percebidos como não merecedores - sem impor ônus relevante aos segmentos mais privilegiados da sociedade. Daí a força de temas como meritocracia, religião e empreendedorismo. A polarização e o pessimismo em um contexto de eleições favorecem abordagens populistas, como: 1) busca por culpados, 2) apresentação de soluções simples, 3) combate às instituições e 4) apelo emocional focado no medo.
cenário combina fatores estruturais positivos (como o avanço da IA impulsionando crescimento e produtividade) com choques conjunturais negativos, especialmente a alta do petróleo.
Esse choque eleva a inflação global e reduz o espaço para queda de juros, principalmente nos EUA.
No Brasil, apesar do potencial em commodities e energia, a inflação e os juros seguem como principais fragilidades.
O ambiente político é marcado por polarização, pessimismo e risco de radicalização, afetando a confiança.
A estratégia recomendada prioriza renda fixa (sobretudo inflação), com cautela em renda variável diante das incertezas.
Os dados referentes ao mercado de trabalho nos Estados Unidos trouxeram preocupações em relação ao estado da economia justamente em um momento em que estímulos de política monetária adicionais parecem mais difíceis dado o conflito no Oriente Médio.
A disputa pela hegemonia econômica global entre Estados Unidos e China, e a guerra entre Rússia e Ucrânia ficaram para segundo plano. O ataque norte-americano ao Irã se configura agora como o principal fator de risco geopolítico.
Ainda que os mercados sigam precificando redução de juros em 2026, a alta do petróleo associada aos bombardeios ao Irã, por mais que temporários, tendem a tornar pouco provável o movimento de redução da taxa básica que atualmente se espera. As evidências já eram de persistência das pressões inflacionárias em função do custo do trabalho da interrupção do ciclo de queda dos preços do petróleo que vinha desde 2023. A esses fatores se soma agora a possibilidade de elevação no curtíssimo prazo dos custos associados aos combustíveis e outros produtos derivados.
O índice de preços ao produtor ficou acima do esperado em janeiro, se juntando ao dado do último deflator do consumo privado para formar um quadro bem menos benigno em relação à inflação nos Estados Unidos. Os ataques recentes ao Irã sugerem que a deflação produzida pela queda dos preços do petróleo tende a ser interrompida, no mínimo por alguns meses, o que certamente afetará as projeções de inflação e decisões de política monetária do FOMC.