cenário combina fatores estruturais positivos (como o avanço da IA impulsionando crescimento e produtividade) com choques conjunturais negativos, especialmente a alta do petróleo.
Esse choque eleva a inflação global e reduz o espaço para queda de juros, principalmente nos EUA.
No Brasil, apesar do potencial em commodities e energia, a inflação e os juros seguem como principais fragilidades.
O ambiente político é marcado por polarização, pessimismo e risco de radicalização, afetando a confiança.
A estratégia recomendada prioriza renda fixa (sobretudo inflação), com cautela em renda variável diante das incertezas.
Os dados referentes ao mercado de trabalho nos Estados Unidos trouxeram preocupações em relação ao estado da economia justamente em um momento em que estímulos de política monetária adicionais parecem mais difíceis dado o conflito no Oriente Médio.
A disputa pela hegemonia econômica global entre Estados Unidos e China, e a guerra entre Rússia e Ucrânia ficaram para segundo plano. O ataque norte-americano ao Irã se configura agora como o principal fator de risco geopolítico.
Ainda que os mercados sigam precificando redução de juros em 2026, a alta do petróleo associada aos bombardeios ao Irã, por mais que temporários, tendem a tornar pouco provável o movimento de redução da taxa básica que atualmente se espera. As evidências já eram de persistência das pressões inflacionárias em função do custo do trabalho da interrupção do ciclo de queda dos preços do petróleo que vinha desde 2023. A esses fatores se soma agora a possibilidade de elevação no curtíssimo prazo dos custos associados aos combustíveis e outros produtos derivados.
O índice de preços ao produtor ficou acima do esperado em janeiro, se juntando ao dado do último deflator do consumo privado para formar um quadro bem menos benigno em relação à inflação nos Estados Unidos. Os ataques recentes ao Irã sugerem que a deflação produzida pela queda dos preços do petróleo tende a ser interrompida, no mínimo por alguns meses, o que certamente afetará as projeções de inflação e decisões de política monetária do FOMC.
Os últimos indicadores de inflação nos Estados Unidos têm mostrado tendências diversas. O mercado fica eufórico com o CPI, que desacelera, mas desanima quando é anunciado o deflator do PCE, que tem apontado para cima (Ver Gráficos 1 e 2). Dado que o segundo atribui peso maior ao grupo de serviços, que é mais resiliente, e dentro deste, menor ao item aluguéis, que tem ajudado a puxar o CPI para baixo, entendemos que se justifica o aumento da cautela manifestado pelos membros do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve.
Não fosse o ambiente externo benigno, o Brasil já estaria passando por uma crise de confiança em relação às suas contas públicas. A valorização global de ativos em um ambiente desinflacionário, os ganhos de produtividade produzidos pelos avanços das Inteligências artificiais e a diversificação de ativos que tem provocado desvalorização do dólar no mercado internacional; produzem forte fluxo de entrada de capitais internacionais e ajudam a financiar o déficit público.
O superávit primário do governo federal ficou em R$ 86,9 bilhões em janeiro de 2026, apenas R$ 1,9 bi. acima do registrado um ano antes (no dado corrigido pela inflação). O resultado deve ser considerado desapontador na medida em mostra uma arrecadação crescendo R$ 6,4 bi. (2%) enquanto as despesas aumentam R$ 5,2 bi. (3%).