- O mercado de trabalho não está folgado, o que sugere que a inflação de serviços permanecerá resiliente. O grupo habitação começa a ser afetado pelos aluguéis imputados (Gráfico 1), que dependem mais de juros do que do mercado imobiliário. Energia seguirá pressionada por petróleo. Ou seja, mesmo se houver trégua no Irã, vai demorar para cair a inflação nos Estados Unidos.
- O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro (com ajuste sazonal) e a variação em 12 meses acelerou para 3,7% (de 3,4%). O núcleo — que exclui alimentos e energia — avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, ligeira alta ante agosto.
- A aceleração do índice cheio é, sobretudo, um fenômeno de energia: a gasolina subiu 9,1% no mês (respondendo por mais da metade da alta mensal) e acumula 34,2% em 12 meses, enquanto o óleo combustível saltou 74,2% no ano. O grupo energia avançou 5,2% no mês e 20,4% em 12 meses.
- Do lado do núcleo, os serviços seguem resilientes: a medida que exclui preços de energia (em 12 meses) variou 3,1% até setembro (Ver Gráfico 2). Os dois maiores componentes de serviços se mostram ainda fortes: habitação em 3,2% e os serviços médicos em 2,5% na variação interanual.
- Outros destaques do mês: passagens aéreas +1,2% (22,4% em 12 meses), carros usados +0,7% e serviços hospitalares +0,7%; na contramão, medicamentos recuaram 1,2% e comunicação 0,2%. Os alimentos ficaram estáveis no mês (2,5% no ano, com queda de carnes e leite).
- Para a política monetária, a alta do núcleo é um problema. O nível segue elevado e a perspectiva é de que a inflação se sustentará por algum tempo, reforçando o cenário de mais uma ou duas altas de juros em 2026.



