A edição de setembro do Cenário Econômico (Análise Mensal) da Pezco tem três temas em foco: inflação (mundo e Brasil), atividade (PIB do Brasil) e dívida (Estados Unidos e Brasil).
Inflação e petróleo
O preço do petróleo voltou a superar US$ 100 por barril, pressionado pela tensão no Oriente Médio e pela demanda chinesa, o que reacende o risco inflacionário de curto prazo. Nos Estados Unidos, o mercado já precifica mais de 80% de probabilidade de até duas altas de juros até o fim de 2026; na Europa, o salto de mais de 180% no preço do gás natural mantém a pressão altista. No Brasil, o governo reagiu no curto prazo: cortou o PIS/Cofins da gasolina, zerou impostos sobre o etanol e criou subvenção ao diesel.
Inflação no Brasil
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, ajudado pelo bônus de Itaipu na conta de luz e pela queda em passagens aéreas, combustíveis e alimentos. Com isso, aumentou a chance de o IPCA rodar abaixo de 5% em 2026 e de o Banco Central manter cortes de 25 pontos-base na Selic até o fim do ano. Para 2027 e adiante, porém, os riscos seguem elevados — fiscal, petróleo e El Niño.
Atividade
O PIB desacelerou para 0,5% no segundo trimestre, ante 1,1% no primeiro. A demanda doméstica perde fôlego de forma mais intensa: consumo das famílias e investimento (FBCF) recuaram mais que o PIB, enquanto as exportações e os setores expostos ao exterior seguram a atividade. A leitura dos hiatos dos fatores de produção sugere que o hiato do produto se fechou, refletindo mais a desaceleração da demanda do que um ganho generalizado de produtividade.
Dívida
A dívida total dos Estados Unidos já supera 2,5 vezes o PIB (257% no primeiro trimestre de 2026), puxada pelo governo federal. O Brasil deve menos nos três perfis (crédito ampliado de 162,3% do PIB), mas o problema é o custo: no crédito às famílias, o estoque é baixo e o serviço da dívida é alto — o pagamento mensal já não cabe no orçamento da família média.
Juros e política
Com o juro real ex-ante acima de 8% por quase dois anos, a política monetária segue em terreno restritivo e os eventos de crédito (recuperações judiciais e rebaixamentos de rating) ganham atenção. No campo político, as pesquisas mostram estreitamento da margem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno nas três pesquisas, movimento que tem valorizado ativos brasileiros.
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