- O que acontece quando o impulso da política fiscal e do crédito direcionado são excessivos? Resposta: a autoridade monetária se vê obrigada a praticar juros excessivamente elevados para conter a inflação, o que agrava a situação financeira tanto das famílias quanto das empresas.
- É isso o que mostram os dados de crédito divulgados hoje. O endividamento das famílias e das empresas está aumentando a um ritmo entre 7% e 8% por ano acima da inflação (gráfico 1). O impulso fiscal produz excesso de demanda por bens e serviços, mas também por crédito. E o aumento dos empréstimos direcionados mais do que anula a transmissão da política monetária via crédito livre do sistema financeiro (Gráfico 2).
- O problema é que esse modelo é insustentável. O aperto financeiro sobre pessoas físicas e jurídicas já se mostra um problema. O ônus se manifesta via estoque e custo do endividamento.
- O total das operações de crédito do Sistema Financeiro nacional alcançou R$ 7,1 trilhões em fevereiro, variação de 9,5% em 12 meses, sendo +7,4% para as empresas e +11,2% para as pessoas físicas. A inadimplência da carteira de crédito total do SFN aumentou 0,2 p.p. no mês, alcançando 4,3%, com avanços de 0,2 p.p. na inadimplência de pessoas jurídicas e de pessoas físicas, situadas em 2,6% e 5,2%, respectivamente.
- O endividamento das famílias situou-se em 49,7% em janeiro, permanecendo estável no mês e aumentando 1,1 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda subiu 0,1 p.p. no mês e 1,6 p.p em doze meses, alcançando 29,3% da renda disponível.




